burocracias inquietantes
Lembro-me como se fosse hoje... Os olhos grandes, de um azul forte penetrante, observavam-me com aquele carinho e atenção a que sempre me habituei desde o primeiro dia. Olhava em redor, observava e investigava tudo minuciosamente como se fosse a primeira vez. Sorria, franzia o sobrolho e admirava-se constantemente com o mundo e com as caras novas à sua volta. Nada escapava à sua crítica interior, disso tenho a certeza. Lá bem no fundo deveria estar a pensar: "quem são estas pessoas?", "que mundo novo é este?".
E foi assim que tudo começou... com dois olhinhos inocentes a comtemplarem-me ternamente. Deixei-me levar por este carinho incondicional e quase esqueci toda a luta e sofrimento, todas aquelas burocracias, quase intransponíveis que tive de ver serem combatidas, dia após dia. Todos aqueles documentos, papéis e informações detalhadas, necessárias para uma simples adopção. Para o simples acto de se levar uma criança para casa, de lhe dar a atenção e os cuidados indispensáveis. Tudo isto, todas estas complicações para estarem tantas crianças em constante sofrimento e instabilidade, de instituição para instituição, enquanto que lá fora há pais ansiosos e desesperados, dispostos a oferecer a estas crianças uma vida estável e feliz.
E foi assim que conheci a história desta menina... Uma menina que agora tem uma vida normal, como tantas outras crianças, num ambiente familiar saudável, onde se sentem a felicidade e harmonia que pairam no ar.

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