céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

sábado, julho 09, 2005

as portas

Hoje fui directa ao assunto. Levantei-me da cadeira azul escura, forrada com uma pele bastante confortável (talvez couro), que está colocada mesmo no centro da sala, em frente à televisão a preto e branco pequena, horrivelmente rústica, e à estante de madeira repleta de livros. Andei decidida mas com passos silenciosos, como que não querendo ser descoberta. Encontrei finalmente a pequena caixinha meia prateada com uma fitinha cor de vinho à volta, tinha também uma pequena pérola da mesma cor da fita no topo. Fitei-a durante algum tempo. Era como olhar para a caixa de Pandora. No entanto, armei-me em forte – ainda bem que o fiz – e abri-a de repente. Ainda estavam lá. Apesar de todo o tempo que tinha passado, aquelas chavezinhas prateadas já desgastadas pelo tempo, ainda estavam lá. No mesmo sítio, com a mesma serenidade e imponência. Agarrei-as com indiferença e dirigi-me primeiramente ao quarto escuro. A porta estava entreaberta (não têm noção de como odeio portas entreabertas. Dão-me arrepios. Parece que alguém acabou sorrateiramente de passar por lá…). Fechei os olhos com muita força como que para afastar o mau agoiro. E dum momento para o outro, consegui fazê-lo assim dum trago. Olhei para o lado e outro desafio estava, inocente, à minha espera. A porta estava também entreaberta – arrepios outra vez… – mas a luminosidade era outra. Uma luz que faz doer a cabeça, que deprime. Sabem quando o céu está escuro, meio enublado e o sol espreita envergonhado por entre as nuvens? Tal e qual. E sem saber bem como, a missão acabou por ser bem sucedida, novamente.
Como já referi, hoje fui directa ao assunto. Fechei os meus medos a sete chaves e o vazio que antes me corroía, está agora aprisionado. Deixei tudo para trás, é melhor assim… Mas sabem, de vez em quando os meus fantasminhas, negros, aterrorizadores ainda passam matreiros pela fechadura e o meu vazio ainda passa, com esforço, pelas frestas da porta, agarrando-me desprevenida. De quando em quando ainda solto lágrimas dolorosas receando não poder ter esse sorriso lindo só para mim. De quando em quando ainda me sinto incapaz de engolir, com tantas lembranças do passado, com tanta nostalgia, que me faz sentir fraquinha, a cair no abismo instalado dentro de mim mesma.
Hoje é que vou mesmo directa ao assunto. Abri as portas corajosamente. E trespassei-as sem medo algum. Vão dar a um mesmo quarto. A um mesmo fim. Vão dar a ti. É inevitável, para amar, há que sofrer.

1 Comments:

At 4:16 PM, Anonymous Anônimo said...

lindo....n ta facil aguentar as ferias sem a pessoa k mais amo...continua assim!!!!
AMO TE MT..cajo

 

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