céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

sexta-feira, agosto 26, 2005

o solitário da praia

Era um dia de praia. Talvez um dia como todos os outros. O mar espelhava o forte brilho do sol, as ondas esbarravam relutantes na areia compacta e ele andava, novamente, com passitos inconstantes e ligeiros a escutar atento os murmúrios do mar. Olhava para o chão, melhor, para os pés que seguiam sem como nem porquê. Via-o lá, todos os fins de tarde quando o sol se punha. Todos os dias o mesmo ritual. Chegava à praia, seguia distraído até à beira mar e depois perdia-se num devaneio único que o acompanhava na sua longa caminhada, de braço dado com a água salgada. O cabelo castanho claro passeava descontraído ao sabor do vento e apesar da face linda, simétrica, duma perfeição sem igual, os olhos pequeninos mostravam o reflexo de uma alma confusa, perdida… Pensei várias vezes em segui-lo, em falar com ele, em dizer-lhe qualquer coisa, mesmo que fosse um simples “olá”. Pensei várias vezes em olhá-lo nos olhos, em desvendar aquele espírito inquieto, que se refugiava na banalidade de uma praia deserta. Mas é melhor assim. Continua a ser o meu solitário da praia. Sem nome, sem voz, sem alma…. Apenas um rapaz perdido no areal sem fim. Um solitário... o meu solitário da praia.

1 Comments:

At 8:12 AM, Anonymous Anônimo said...

Estrela do Mar

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento
E ali longe do tempo, acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

"Sou a estrela do mar só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."

Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar

"Estrela do mar
Só a ele obedeço
Só ele me conhece, só ele sabe quem sou
No princípio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim..."

Jorge Palma

I'm back ;-)

 

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