Hoje não te vou olhar nos olhos e perguntar-te o que se passa. Não vou tentar derrubar essa barreira intransponível que tu impões segura à tua frente. Não vou sorrir só para te agradar. Não vou dizer aquelas palavras que tanto gostas. Não te vou abraçar, mesmo que me peças, porque sei que não tens frio. Não vou abrir caminho aos teus passos. Não te vou deixar passar.
Porém sei como ninguém como me faz falta o teu cheiro, o calor do teu abraço, o ouvir das tuas palavras... Por isso peço-te para saires ( por favor não vás...), peço-te para seguires em frente ( não me esqueças...), peço-te para saires da minha cabeça ( entra nos meus sonhos...), peço-te para não falares ( quero ouvir a tua voz...). Agora digo-te convictamente...Esquece-me. Deixa tudo para trás. Segue com a tua vida. Não me ames mais ( mata-me de novo...).
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
domingo, fevereiro 06, 2005
Morreste-me
Ás vezes não consigo dormir. Não consigo sequer fechar os olhos, com uma pontinha de medo de esquecer o teu sorriso. Levanto-me e saio de casa. Passeio assim, sem rumo, só para sentir a brisa fresca que o rio empurra devagarinho... Só para me lembrar dos tempos que passava contigo, daqueles dias em que me sentia realmente feliz. -Não queria mais nada.- sussurro eu pra mim mesma.- Só queria que estivesses aqui. E fecho os olhos com muita força, pedindo às grandes forças do universo que te tragam de volta. Prometendo tudo, se te trouxerem, até a minha vida. Mas já nada resulta, nem as minhas promessas, ou as noites que já não durmo, ou as lágrimas que derramo dia após dia.
O sol nasce mais uma vez. Quando (supostamente) acordo e vejo o meu reflexo no espelho, digo pra mim mesma que tudo vai ser diferente daí em diante. Vou-te esquecer e seguir com a minha vida, "porque para a frente é o caminho", como todos me dizem. Sorrio, e solto gargalhadas ocas. "O que passou, passou!" digo eu, sabendo que lá no fundo me estou a afundar no vazio, num poço sem fim.
E é de noite novamente. Levanto-me e e sento-me na escrivaninha, ao lado da janela. Não consegui escrever nem mais uma palavra desde... o que tu sabes... Não consigo dize-lo. Não consigo proferir aquela palavra horrível que antes parecia tão banal. No entanto sinto que a devo dizer para me poder libertar. E como que um herói que finalmente empunha a sua espada, escrevo vagarosamente: "Morreste-me". E escrevo mais e mais. Os dias passam e já nem sinto aquele teu peso nos meus ombros. Consegui contar a verdade a mim mesma.
E chegou o dia derradeiro. Chegou o dia de deixar tudo pra trás. De verdade. Já só resta uma folha na máquina de escrever: " Esta é uma história sobre as pessoas, sobre um lugar, sobre sentimentos... mas acima de tudo é a história de um amor, de algo maior, que desafiou os céus, até a morte."
