céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

terça-feira, dezembro 13, 2005

a incisão do pensamento

Às vezes isto, o mundo, insurge-se como uma espécie de sonho ou dimensão confusa que serve apenas para nos iludir. E nós somos como elementares marionetas que deambulam sem propósito num palco poeirento, aplaudidas pelo silêncio. Muito esquisito como tudo o que é óbvio e certo no nosso dia-a-dia rigidamente rotineiro, pode ser questionável e tornar-se assustadoramente duvidoso. Mas, e realço mais uma vez, isto acontece só às vezes. Talvez porque a mente precisa de algo para se distrair, talvez porque quero ser diferente, armar-me em intelectual e ter estas visões futuristas de um presente distinto, com o qual ninguém tinha sequer imaginado. Este é só um dos pensamentos que me ocorrem, caminhos que percorro, quando tento, mais uma vez, escrever. E depois penso porque que é que as coisas são assim e não de outra maneira, porque é que o céu é azul e não verde e como é que é possível o universo ser infinito. Pensamentos vulgares, inúteis como tentar escrever sem inspiração, como estou a fazer agora. Não devia ser permitido, escrever sem inspiração. Abrir a alma para expressar o falso. Sim, devia ser crime. Devia ser punido… com prisão perpétua! Outra das questões que me assolam de quando em quando: a prisão perpétua e com ela surgem as problemáticas da pena de morte e da eutanásia. Sinceramente, não concordo com a pena de morte. Ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém por muito grande ou grave que seja o crime que a pessoa em causa tenha cometido. É demasiado grotesco, matar assim uma pessoa com meia dúzia de injecções e um público a admirar impávido a matança, ansioso de sangue, de tragédia, de morte. Acho que a prisão perpétua é preferível. Uma pessoa sofre, pensa, repensa e quem sabe é visitada pela consciência pesada. Anos e anos fechado numa cela. Sobreviver e nunca mais viver. A morte é definitiva, não há tempo para arrependimentos, remorsos, para nada. Não há sofrimento. Sim, digam o que disserem penso que a prisão perpétua é mais justa.
A eutanásia é outra questão. Acho que em certas situações devia ser permitida, para evitar a dor não só física, como muito pior, psicológica. Pior que a morte definitiva é a morte vagarosa que chega com uma doença prolongada, por exemplo. E se alguém quer por fim ao seu próprio sofrimento, deve poder fazê-lo. Todos devem prezar pelo seu bem-estar e se esse bem-estar exigir uma passagem para outro mundo, que assim seja. Mas chega de conversas deprimentes que envolvem mortes e assuntos afins que me enegrecem o espírito… E lembro-me que agora há mais para fazer. Há que dormir e descansar sobre todo o cansaço que é reflectir (se calhar é por isso que hoje em dia não se reflecte muito… cansa...), há que fechar os olhos com a certeza que não há certezas e que haverá sempre algo para duvidar e repensar. É isso que nos faz viver, o incerto, não é?
Parece que afinal acabei por me safar da prisão perpétua…

3 Comments:

At 7:21 AM, Anonymous Anônimo said...

manecas,acreditas que ainda hoje estive a falar disso com o meu pai?!..ele acha que a pena de morte deveria ser usada, por exemplo em casos de pessoas que matam outras (como no caso da joana) e quando crianças pequenas sao violadas...mas eu não concordo!acho que a pena de morte nem sequer é um castigo!ficar eternamente preso numa cela, sem poder ver o mar,o campo,a familia,os amigos...é muito mais duro,muito mais doloroso!e quanto à eutanasia...entao,nós, homens, achamo-nos no direito de julgar os outros e tirar-lhes a vida...mas quando chega a altura de tomarmos decisoes acerca das nossas proprias vidas, não podemos?!porque não?!se alguem tem o direito de decidir se devemos morrer somos nós mesmos, não os outros...e quando sofremos, apenas percebemos como isso custa...por muito compreensivos que os outros sejam, é impossivel perceberem exactamente aquilo por que estamos a passar...embora eu ache que a morte não é a soluçao..pra nada!!eu propria ja tive vontade de desaparecer,de morrer...mas fui forte e ultrapassei os meus problemas...encarando-os,não fugindo deles!!
mas enfim...é só a minha opiniao!!e, como sempre, ninguem vai dar muita atençao ao que uma adolescente diz...mas, de facto, talvez aqueles que tem poder para mudar algumas coisas devessem abrir os olhos e meter na cabeça que todos somos humanos, e por muitos erros que cometamos, ninguem tem o direito de nos julgar e de nos tirar o bem mais precioso que temos: a vida!!

 
At 5:31 PM, Anonymous Anônimo said...

"!!eu propria ja tive vontade de desaparecer,de morrer...mas fui forte e ultrapassei os meus problemas...encarando-os,não fugindo deles!!
mas enfim...é só a minha opiniao!!"

tu ja tivest vontade de desaparecer, provavelmente por causa de um namorado ou de uma discussao com os teus pais...a morte de um ente querido talvez.. ?!
Agora experimenta estar sem pernas, eternamente estendida numa cama, depois de teres perdido toda a tua familia, toda a gente que amavas e por quem eras amada, numa guerra que não te dizia respeito.
Adicciona a isto um sofrimento físico insuportável causado pelos fios das máquinas que te conseguem fazer respirar.
Sim... respirar .. é para isso que tu serves. Para isso e para acentuar a crise económica do país de merda onde vives, visto não estares a fazer nada da vida e ainda te darem comida e "cama" po isso.
Incapacitado para o resto da vida, atormentado pelo constante sofrimento físico e incapaz de reagir a qualquer coisa que seja, devido ao psicológico...vá carolina, dá-me só uma razão para "ser forte, ultrapassar os meus problemas, enfrenta-los, não fugindo deles".
Tudo o que tenho é uma fotografia deles...por favor, alguém que a enterre comigo.

 
At 11:09 AM, Anonymous Anônimo said...

Parto sem dor

E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor

E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor.

Sérgio Godinho (Campolide)

 

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