Abro os olhos devagarinho e volto a fechá-los ainda ensonada. Adormeci outra vez no terraço, enterrada naquelas almofadas grandes, já envelhecidas pelo tempo, em tons de bege e castanho. Solto um suspiro profundo e olho com atenção para o horizonte. É bom ver o nascer do sol. Sempre com um efeito tão calmante e ao mesmo tempo tão majestoso, espectacular.
É bom pensar nas coisas simples da vida. São assim e pronto. Ou são boas ou são más, não há intermédios nem complicações. O nascer do sol é lindo, tão evidentemente, tão basicamente magnífico. A vida podia ser também assim, simples e bela. Seria tudo tão mais fácil não é? Dou por mim muitas vezes com este tipo de pensamentos e não porque a minha vida seja tão complicada assim, mas mais porque eu a torno complicada. Aliás, acho que todos nós fazemos um pouco isso, em quase todos os obstáculos que nos são impostos, ocasionalmente, pela vida… É uma questão de tendência natural para o dramatismo, talvez. Os jornais, os telejornais, os programas de televisão têm todos muito esta tendência para transformar toda e qualquer coisa numa tragédia. E as pessoas vêm e gostam. É estúpido mas uma parte de nós, gosta realmente deste impacto que é ver ou ouvir que alguma catástrofe sucedeu. Sorriu ao de leve para mim mesma… “Mente mesquinha, essa dos humanos…” Entro dentro de casa e ligo a aparelhagem, ainda é muito cedo, por isso ainda não está a dar nada de especial na rádio. Volto-me a sentar no grande sofá de palha e pouso os pés devagarinho na mesa de vidro que está mesmo à minha frente. Ouço a música com esforço (está mesmo muito baixinha…). Não é nenhuma canção conhecida, é apenas um daqueles sons a que eu chamo “sons de fundo”. Não são para apreciar nem escutar com atenção, são só apenas para distrair a mente. É bom quando nos apercebemos que esta música em tons baixos se mistura com o barulho característico do acordar prá vida… O sol está a nascer e só agora é que tudo desperta da acalmia e mistério da noite para o contentamento e clareza do dia. Querer parar num momento, viver num espaço temporal específico, indefinidamente. Já alguma vez vos aconteceu? Parar, ser feliz, completamente feliz. A mim acontece-me frequentemente. Querer parar e absorver ao máximo aquele momento único de pura felicidade e equilíbrio interior. É o que está a acontecer agora. Quero parar assim, deitada no sofá no meio do nada, sem mais ninguém, apenas eu e o nada que no fundo é tudo. O despertador toca. Acordei do meu descanso e automaticamente dirigi-me para dentro de casa. Tomei um duche rápido e vesti a primeira coisa que me apareceu a frente. Mais uma rotina, mais um dia como os outros. Parar para ser feliz, completamente, simplesmente feliz, passou a ser secundário. Não, deve ser só impressão minha.

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