céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

domingo, janeiro 15, 2006

Permanecia perto dele, ainda com a infundada esperança que o tempo parasse, que o mundo girasse apenas à nossa volta. Permanecia assim, um tanto confusa por todas aquelas correntes de emoção que trespassavam o corpo perecível, em oposição às nossas almas crentes de união para todo o sempre. Sabia que não era assim, que o tempo passaria e que todos os momentos passados não passsariam disso, do passado, do pó que restaria. As almas que demasiado se querem, acabam, por tanta emoção e pelas ironias do destino, por...se separar. Mas não queria ficar triste ou amargurada, ele só merecia o meu sorriso e eu o dele. Era dependente desse sorriso, para que a vida tomasse um rumo mais certo e estável, para que a felicidade, criada, mimada por nós dois, continuasse, resistente a existir, a iluminar as nossas vidas. Sim, era essa felicidade criada só por nós dois com tanto esforço que me dava forças para continuar com a alegria explicita nos lábios.
Claro que a família, os amigos, são de uma importância definitivamente relevante, mas depois de esbarrármos com aquela pessoa que consegue parar o tempo, que parece concebida especialmente segundo todas as nossas necessidades, criamos uma dependencia inacreditável, como se toda a vida tivessemos permanecido na ignorância de que é ter alguém que esteja constantemente perto de nós para nos fazer rir, para nos afagar no seu abraço, para absorver as lágrimas salgadas que caiam sem destino. Mas é quase irónico que depois te termos esse alguém continuemos com preocupações inúteis... como a dúvida da correspondência total e absoluta, o medo de deixarmos de ser a razão de cada sorriso da outra pessoa em causa. Não nos podemos esquecer também da ansiedade, da angústia que a felicidade acabe de um momento para o outro, de que tudo o que foi guardado com tanto carinho, simplesmente, se evapore. Apesar de isso não ser possível. De acabar de um dia para o outro. Ele respondeu-me assim, decidido,às minhas questões aflitivas e eu acreditei. Acredito sempre nele.
Permanecia perto dele, ainda com a infundada esperança que o tempo parasse, que o mundo girasse apenas à nossa volta. Pelos vistos, parou...

1 Comments:

At 10:29 AM, Anonymous Anônimo said...

Inquietação

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

José Mário Branco

Este é um dos meus poemas preferidos e um dos estados de espírito que me assalta com frequência. Achei que tinha a ver com o texto...

 

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