céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

terça-feira, maio 31, 2005

Miss u

Contemplo-te outra vez. Agora com mais atenção, daqui a pouco talvez ligeiramente distraída, mas contemplo-te. Olho para ti, observo os teus olhos castanhos-claros e quase que te leio a mente, o que estás a pensar… Será que pensas em mim? É claro que não… Estou mesmo aqui, ao teu lado… Sorrio, sem me aperceber e logo fico séria novamente em jeito de arrependimento. Não queria soltar aquele sorriso sincero que agora tentas decifrar silencioso. Penso durante horas que acabam por ser meros minutos que eu agora, nervosa, prolonguei… Quero dizer as palavras certas, soltar os sons que queres ouvir, desejo poder dizer tudo aquilo que te fará esboçar o mais pequeno e humilde dos sorrisos… mas não consigo e parece que as palavras ficam retidas quando, envergonhada, as tento proferir. Nada sai e nada parece ser o ideal para ser dito. Vigio-te do canto dos meus olhos pequeninos e tímidos que tentam, apressados, encontrar os teus. Afasto a franja dos olhos, devagarinho, para tu não notares. Mas tu notaste e observas-me sério, paraste a olhar para mim perplexamente. Agora é que as palavras insistem em não sair e já me sinto a corar… Se eu não disser tudo já, ele nunca saberá de nada… Digo eu a mim mesma em tom de incentivo… Mas não vale a pena, paralisei por completo. E sem pensar, assim instintivamente, tiro uma caneta da mala (que por acaso foste tu quem ma deu…) e pego no guardanapo de papel, escrevendo em letras grandes a primeira coisa que me veio à cabeça ( e que me saiu directa do coração apertado): “Sinto a tua falta”. Levanto-me bem rápido, acho que nem sequer quero saber a tua reacção… Mas olho para trás porque algo me diz que o devo fazer… Estás a sorrir para mim sereno e dizes calmamente: “ Eu também”. Fico eufórica mas mais uma vez guardo tudo dentro de mim, talvez para não parecer mal… Sabem, o guardanapo já não estava em cima da mesa, tinha caído…

Lágrimas de dor

E choro mais uma vez
Porque não estás aqui
Por tudo o que contigo vivi
Pelos momentos que contigo passei
Choro porque já anoiteceu
Porque o sol já não mais voltará
Para iluminar tudo o que é meu
E tu não estás a meu lado
Para secar as minhas lágrimas
que correm apressadas
E tu já não estás a meu lado
Para me impedir de chorar, gritar, sofrer
Tu já não estás aqui
Mas a memória é mais forte
E as lembranças prevalecem vivas
Dentro de mim
Por isso percorro incansável esta estrada escura sem fim
Talvez ela te encontre
Talvez ela me leve para junto de ti
E choro mais uma vez
Porque a solidão me apavora
Porque o escuro me aprisiona
Porque o medo de não te ter
Se apodera de mim
E choro, choro mais uma vez
Porque as asas me foram cortadas
Porque a mágoa abre estas chagas
De tanto te querer amar

domingo, maio 29, 2005

preto no branco

Por vezes, nem acredito no que os meus olhos vêem, ou no que os meus ouvidos ouvem, surpreendidos. Ainda há muita injustiça e intolerância neste mundo.
É incrível como numa sociedade tão evoluída, tão inovadora no campo da ciência, da pintura, da literatura pode ser tão retrógada em certos parâmetros. E quando falo deste parâmetros, refiro-me a um em especial, sempre presente, mas habilidosamente escondido na falsa compreensão da nossa suja sociedade. Pois bem, direi directamente aonde quero chegar: o racismo, o facto de as pessoas se julgarem melhores, superiores só porque têm uma cor de pele diferente! Cor de pele!! Onde fomos nós chegar… E é assim que muita gente vive no escuro, no beco assustador que é ser marginalizado constantemente. Não terá chegado a altura de olharmos para nós mesmos e apercebermo-nos dos erros crassos que temos cometido? Da injustiça que temos semeado por toda a parte? Não será tempo de crescermos como seres humanos que somos? Afinal de contas, todos nós somos iguais, todos nós choramos quando alguém que nos é querido, morre, todos nós rimos quando sentimos a felicidade presente… Todos nós temos as mesmas capacidades e acima de tudo, todos nós temos um coração pelo qual nos deixamos guiar a maior parte das vezes.
Vamos atentar ao nosso lado humano, e deixar um pouco de parte as grandes descobertas e aventuras do exterior. Por que se não aprendermos a lidar com o que está cá dentro, com as nossas emoções, nunca poderemos apreciar de um modo sábio o que há lá fora.

domingo, maio 22, 2005

FlashbacksPosted by Hello

quinta-feira, maio 19, 2005

Por segundos, respiro. Sei que já foste embora, fechaste a porta com força atrás de ti. Finalmente posso largar aquelas lágrimas gordas que ansiaram rolar pela minha face há momentos. Soluço bem alto e sinto que o coração não vai aguentar muito mais tempo, dentro de mim. Relembro mais uma vez, as palavras que proferiste, palavras que nunca pensei ouvir de ti… Olho para a porta ansiosamente. Parece estúpido, mas rezo para que voltes e me peças perdão de joelhos… sabes, quero que tudo fique bem, novamente… No entanto sei que não virás. Tenho a certeza que agora estás a andar em frente decidido e a pensar coisas horríveis sobre mim… É normal, eu também pensaria.
E começo a pensar porque me deixaste. Sabes o quanto sofro quando estou longe de ti… Se calhar nem isso te importa porque, muito provavelmente, já não sentes nada por mim… mas não eras tu quem dizia que não se esquece uma pessoa de um dia para o outro? Devia ser assim, de facto… Começo a escrever. Afinal é a minha única saída quando os sentimentos insistem em rebentar dentro de mim, de tanta intensidade. “Romacezecos foleiros… histórias lamechas típicas…” era o que tu comentavas em tom de brincadeira quando lias atento os meus escritos. Eu ria-me e entrava na brincadeira, mas agora, pensando melhor, acho que ficava um pouco triste, por mesmo que a brincar mandasses aqueles comentários. Parei de escrever. Fiquei quase que inibida com este pensamento. Olhei para varanda. Estava um dia bonito, lá fora. Havia algumas nuvenzinhas a pairar no ar, e flutuava uma brisa suave e relaxante… Caminhei para lá. E não sei porquê, sem razão alguma, subi para o parapeito e olhei para baixo. Tinha medo, pavor de alturas e agora estava ali, calma e serena a olhar para chão do 8º andar. Fechei os olhos e deixei-me levar. Acordei num sobressalto. Toquei na cara e nas pernas para ter a certeza que estava tudo no sítio. Tinha sido um sonho, melhor, um pesadelo! Tocaram à porta. Corri para lá apressada. Eras tu. Deixei a porta entreaberta, virei-te costas e sentei-me no sofá. Aproximaste-te devagar e sentaste-te perto de mim. Liguei a televisão de imediato Não queria falar contigo. “Não vais dizer nada, é?”- disseste tu amargamente. Não proferi palavra. E começa a discussão, mais uma vez. Eu falo, tu ripostas, eu levanto a voz, tu gritas. Quero chorar com todas as minhas forças, mas não o farei. Estás a olhar para mim neste preciso momento mas eu olho em frente, assim com indiferença (o orgulho é mais forte que eu…). Levantas-te repentinamente e sais em silêncio (um silêncio que me apavora…). Por segundos, respiro. Sei que já foste embora, fechaste a porta com força atrás de ti. Finalmente posso largar aquelas lágrimas gordas que ansiaram rolar pela minha face há momentos. Soluço bem alto e sinto que o coração não vai aguentar muito mais tempo, dentro de mim… Nunca desejaram não ter aquela sensação de dejá vu…?