céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

outra vez as belas das campanhas

E chegaram outra vez as eleições. As infinitas promessas, os discursos emproados, a má língua que os partidos espalham uns pelos outros. E eu tenho de estar outra vez, à hora do lanche, a ver o tempo de antena que por sinal dá em em todos os quatro canais...Mas isto é o menos. As bocas constantes duns, as expressões terríficas doutros, o buburinho sobre o ressonar de outro ainda... Mas tirando as características mais adoradas pelos jornalistas (que sinceramente lhes fica mal insistirem tanto nestas percalços) há ainda outros problemas que (infelizmente) se verificam todos os anos e que se devem ter constatado em toda a história a partir do momento em que alguém desejava persuadir (eu diria mais manipular...) outra pessoa para que esta através de elementos de "hipnotização" específicos aceite a tese em causa de ânimo leve. E estes elementos escondem-se muitas vezes nas sombras dos mais pequenos detalhes: as tão conhecidas promessas, que desafiam os céus, proclamadas com "patriotismo" escrito na testa tanto como "representação"...apela-se aos sentimentos das pessoas, ao palavreado complicado para atrair a multidão... está tão batido!! Porque é que ainda se cái no mesmo? Aliás porque é que os tão conceituados concorrentes não mudam de estratégia apelando à originalidade e , acima de tudo, àquela a que se chama verdade? O hábito faz o monge não é? Sempre fez... e talvez tenha de ser assim. Será que uma campanha com concorrentes íntegros, verdadeiros, realmente interessados pelo bem da Nação, teria tanta graça? Concerteza que não...Ao menos assim, esqueçemo-nos por momentos da crise que sempre ouvi falar toda a minha vida, descansamos um pouco do espírito pessimista, da desgraça dos tugas, do rótulo de coitadinhos a que estamos destinados a ter! Bem... e digo eu... ao menos coitadinhos e bem humorados!

domingo, janeiro 15, 2006

Permanecia perto dele, ainda com a infundada esperança que o tempo parasse, que o mundo girasse apenas à nossa volta. Permanecia assim, um tanto confusa por todas aquelas correntes de emoção que trespassavam o corpo perecível, em oposição às nossas almas crentes de união para todo o sempre. Sabia que não era assim, que o tempo passaria e que todos os momentos passados não passsariam disso, do passado, do pó que restaria. As almas que demasiado se querem, acabam, por tanta emoção e pelas ironias do destino, por...se separar. Mas não queria ficar triste ou amargurada, ele só merecia o meu sorriso e eu o dele. Era dependente desse sorriso, para que a vida tomasse um rumo mais certo e estável, para que a felicidade, criada, mimada por nós dois, continuasse, resistente a existir, a iluminar as nossas vidas. Sim, era essa felicidade criada só por nós dois com tanto esforço que me dava forças para continuar com a alegria explicita nos lábios.
Claro que a família, os amigos, são de uma importância definitivamente relevante, mas depois de esbarrármos com aquela pessoa que consegue parar o tempo, que parece concebida especialmente segundo todas as nossas necessidades, criamos uma dependencia inacreditável, como se toda a vida tivessemos permanecido na ignorância de que é ter alguém que esteja constantemente perto de nós para nos fazer rir, para nos afagar no seu abraço, para absorver as lágrimas salgadas que caiam sem destino. Mas é quase irónico que depois te termos esse alguém continuemos com preocupações inúteis... como a dúvida da correspondência total e absoluta, o medo de deixarmos de ser a razão de cada sorriso da outra pessoa em causa. Não nos podemos esquecer também da ansiedade, da angústia que a felicidade acabe de um momento para o outro, de que tudo o que foi guardado com tanto carinho, simplesmente, se evapore. Apesar de isso não ser possível. De acabar de um dia para o outro. Ele respondeu-me assim, decidido,às minhas questões aflitivas e eu acreditei. Acredito sempre nele.
Permanecia perto dele, ainda com a infundada esperança que o tempo parasse, que o mundo girasse apenas à nossa volta. Pelos vistos, parou...