Um dia ouvi falar de um rapaz que ficou cego de um momento para o outro, num acidente de trabalho. Um rapaz novo, divertido, sorridente, como todos os da sua idade.
Parecia um dia normal. Foi para o trabalho e por uma falha técnica, houve uma explosão, e ele foi atingido. Uma tragédia casual? Quem sabe… Estar no sitio errado à hora errada? Talvez… A força do destino, um infeliz acaso, ou pura má sorte… chamem-lhe o que quiserem… Mas parecendo daquelas notícias horríveis, demasiado trágicas para serem verdade, aconteceu realmente a este rapaz.
Mas como se costuma dizer, a vida continua. Há que seguir em frente, não é? Pois mas na prática é bem mais difícil. Algum de nós imagina sequer o que é, de um momento para o outro deixar de ver, deixar de poder contemplar aquele sorriso, de observar aquela paisagem, deixar de se poder alegrar com aquela cara conhecida… Pensando bem parece impossível ultrapassar um obstáculo destes. Afinal de contas desde que nos lembramos que fomos habituados a falar, a andar, a ouvir, a ver, são como bases, elementos essenciais do funcionamento do nosso corpo. Perder a visão é perder uma base essencial, e quando não há bases tudo fica frágil e inconstante, tanto por dentro, como por fora. Há sérias modificações tanto a nível do próprio corpo, como a nível mental, psicológico. Existe aqui uma fase de transição fundamental. O corpo e a mente têm de se ajustar às alterações e arranjar novas bases para reaver o equilíbrio. Há que reaprender tudo, e, no caso da perda de visão, aprender a ler Braille, a andar sozinho na rua, a comer à mesa, e muito importante, a apurar todos os outros sentidos. Todos aqueles pormenores do nosso dia-a-dia que achamos pequenos e rotineiros, são agora um verdadeiro desafio.
Está comprovado por estatísticas efectuadas, que apenas 0,03% das pessoas que perdem a visão repentinamente, reagem de forma positiva quase de imediato. A esmagadora maioria fica num estado de depressão e mágoa tal que só consegue enfrentar a situação, 4 ou 5 anos mais tarde!
O caso deste rapaz que vos conto, é uma verdadeira excepção. É um desses 0,03%, que passou a ver a vida de outra forma, que conseguiu passar por cima de toda a mágoa e tristeza. Um rapaz que quer aprender, que tem objectivos definidos na vida e que continua a sorrir com o mesmo gosto e satisfação. Um verdadeiro herói não acham?? Estou a sentir que esta história que vos conto, não está a parecer real… “Aquelas histórias que toda a gente conta, só para alegrar, mas que no entanto não passam disso, de histórias fantasiadas para animar o nosso dia”- é o que vocês devem estar a pensar com uma pontinha de desilusão. Pois bem, chegou a altura de vos surpreender… Conheço este rapaz. Chama-se Pedro, tem 26 anos e é meu amigo. E digo-vos com muita sinceridade, cada vez gosto mais dele, cada vez o admiro mais como pessoa. É o MEU herói! Pedro gostamos todos muito de ti, carago!!!