céu dos murmúrios

palavras soltas, sentimentos controversos e emoções imaginadas... pequenas histórias que fazem lembrar a vida real ou que nos transportam para um mundo de fantasia... uma lágrima, um sorriso, um olhar, tudo se pode passar para o papel.

quarta-feira, junho 29, 2005

Amar

Um sussurro gritado
Um grito de um murmúrio
Um ouvido mal amado
Lábios sentidos,
Um coração carente…
Uma gota seca
Um deserto inundado
Um sol escurecido
Um copo vazio, transbordado…
Uma contradição contradita
Uma passageira eternidade
Uma felicidade infinita
Uma impiedosa magnanimidade…

Amar não é nada mais que isso…Que uma enorme quantidade de contradições…

Amar é odiar
Não se conseguir recusar
Amar loucamente
Só por amar

terça-feira, junho 28, 2005

às vezes... Posted by Hello

às vezes...

Às vezes quero mesmo por os pés assentes na terra, e por momentos deixar de divagar, deixar viver naquele mundo de fantasminhas cor-de-rosa, com a mania que me assustam… Sento-me calada e sei devo dizer alguma coisa. Mas alguma vez sentiram aquele nó na garganta que vos impede de dizer seja o que for? Acontece-me constantemente… Parte da minha consciência, o lado bonzinho, com asas e vestidinho branco, de ar angelical diz-me baixinho ao ouvido para ser simpática, para dizer algo, mas o lado mau, de vermelho vivo e ar matreiro diz-me sorrateiramente que devo pura e simplesmente fazer o que me der na cabeça… E lá cedo eu às ordens endiabradas que me propõem ao ouvido… é quase inevitável, acreditem em mim. E depois implico com tudo e com todos. Não porque quero, mas porque simplesmente o faço de um modo imediato, espontâneo, sem pensar. Tudo o que digam ou façam parece-me estúpido, despropositado, e acima de tudo irritante. Paciência é o que me falta, sem dúvida alguma. Ouço comentários à minha volta, do estilo: “é da idade” ou “já se sabe, está naquela fase difícil”… Qual idade, qual fase difícil!! Todos estão errados e eu sou a única que contém a derradeira fonte de verdade. E sinto mesmo que tenho razão, que estou no centro do mundo, não porque me quero mostrar maior, superior, mas porque tenho mesmo essa certeza estúpida engavetada na minha cabeça.
E já nada me pára e de nada tenho medo. E mesmo aquele filme de terror que sempre me assustou desde pequenina, agora faz-me soltar gargalhadas fortes. Irónico, não? Critico com fortes argumentos (não no próprio sentido da palavra, ou seja argumentos bons, mas argumentos manipulados fortemente, ditos de um modo que dá a volta…) tudo o que acho que está errado em meu redor. E nada nem ninguém escapa à minha crítica. Afinal se não tenho medo da reacção dos outros, posso contestar toda e qualquer coisa, posso falar daqueles tabus que antes deixavam corar.
Sou forte, muito forte. Ou pelo menos é o que penso, convictamente. E é isso que importa, não é? Ter atitude! Mas, às vezes, caio e o meu mundo cai comigo. Deixo de ser aquele gigante Adamastor, enorme, forte, invencível e sinto-me pequena, frágil… A atitude vai-se esvaindo e a resposta na ponta da língua também. Chegam as dúvidas e indecisões. Passo a ver o mundo real, duro tal como é. Olho para mim com outros olhos… não sou tão frágil, assim… Volta a força e convicção.

O meu mundo é como plasticina, pode-se moldar. Tanto pode ser pequeno e frágil, como médio e real ou grande e inabalável. Ás vezes pode ruir, mas volta-se a reabilitar… às vezes acontece assim… mas só às vezes…

quinta-feira, junho 23, 2005

E se...

Se algum dia o céu ruir
Ou o chão se abrir para nos aprisionar
Se algum dia os raios caírem
Talvez para nos castigar
Se algum dia o mar profundo
Se abrir em chamas de emoção
Ou mesmo quem sabe
Se algum dia o amor deixar de ser perdição
Ficarei junto de ti
Porque já nada importa
Já nada interessa, nem comporta razão
Afinal, o amor já não mais é
o pano ilusório que nos tapa a visão
Mas sim o escape que abre alas à salvação…

domingo, junho 19, 2005

Uma força peculiar

Um dia ouvi falar de um rapaz que ficou cego de um momento para o outro, num acidente de trabalho. Um rapaz novo, divertido, sorridente, como todos os da sua idade.
Parecia um dia normal. Foi para o trabalho e por uma falha técnica, houve uma explosão, e ele foi atingido. Uma tragédia casual? Quem sabe… Estar no sitio errado à hora errada? Talvez… A força do destino, um infeliz acaso, ou pura má sorte… chamem-lhe o que quiserem… Mas parecendo daquelas notícias horríveis, demasiado trágicas para serem verdade, aconteceu realmente a este rapaz.
Mas como se costuma dizer, a vida continua. Há que seguir em frente, não é? Pois mas na prática é bem mais difícil. Algum de nós imagina sequer o que é, de um momento para o outro deixar de ver, deixar de poder contemplar aquele sorriso, de observar aquela paisagem, deixar de se poder alegrar com aquela cara conhecida… Pensando bem parece impossível ultrapassar um obstáculo destes. Afinal de contas desde que nos lembramos que fomos habituados a falar, a andar, a ouvir, a ver, são como bases, elementos essenciais do funcionamento do nosso corpo. Perder a visão é perder uma base essencial, e quando não há bases tudo fica frágil e inconstante, tanto por dentro, como por fora. Há sérias modificações tanto a nível do próprio corpo, como a nível mental, psicológico. Existe aqui uma fase de transição fundamental. O corpo e a mente têm de se ajustar às alterações e arranjar novas bases para reaver o equilíbrio. Há que reaprender tudo, e, no caso da perda de visão, aprender a ler Braille, a andar sozinho na rua, a comer à mesa, e muito importante, a apurar todos os outros sentidos. Todos aqueles pormenores do nosso dia-a-dia que achamos pequenos e rotineiros, são agora um verdadeiro desafio.
Está comprovado por estatísticas efectuadas, que apenas 0,03% das pessoas que perdem a visão repentinamente, reagem de forma positiva quase de imediato. A esmagadora maioria fica num estado de depressão e mágoa tal que só consegue enfrentar a situação, 4 ou 5 anos mais tarde!
O caso deste rapaz que vos conto, é uma verdadeira excepção. É um desses 0,03%, que passou a ver a vida de outra forma, que conseguiu passar por cima de toda a mágoa e tristeza. Um rapaz que quer aprender, que tem objectivos definidos na vida e que continua a sorrir com o mesmo gosto e satisfação. Um verdadeiro herói não acham?? Estou a sentir que esta história que vos conto, não está a parecer real… “Aquelas histórias que toda a gente conta, só para alegrar, mas que no entanto não passam disso, de histórias fantasiadas para animar o nosso dia”- é o que vocês devem estar a pensar com uma pontinha de desilusão. Pois bem, chegou a altura de vos surpreender… Conheço este rapaz. Chama-se Pedro, tem 26 anos e é meu amigo. E digo-vos com muita sinceridade, cada vez gosto mais dele, cada vez o admiro mais como pessoa. É o MEU herói! Pedro gostamos todos muito de ti, carago!!!

domingo, junho 05, 2005

Por ti e para ti

O beijo foi entregue
O abraço sentido
E a paixão antes incerta
Assentou determinada,
Como um pedido dos deuses.
As lágrimas salgadas
Cessaram de correr,
E as feridas quase curadas
Acabaram por desaparecer
Porque, agora, já não mais haverá luz
Nem dor ou sofrimento
Ou mesmo o nostálgico pensamento
De um de nós
Apenas escuro, silêncio e paixão
Um momento único de salvação
De duas almas perdidas
Pedindo por um beijo, em vão…